Projeto de Pesquisa em Artes Visuais
Psicologia Histórico-Cultural – educação – metodologia de ensino – ensino de artes – direitos sociais
COORDENAÇÃO | Paulo Cesar Duarte Paes
RESUMO |
Arte da América Latina: habitando a decolonialidade em arte
COORDENAÇÃO | Simone Rocha de Abreu
RESUMO | Este projeto de pesquisa parte do reconhecimento da colonialidade do saber poder e do ser (QUIJANO 2005) em todas as dimensões da vida. Os conhecimentos sobre arte a criação artística ou o ensino de arte não fogem à esta regra resultante do projeto moderno/colonial instaurado durante a invasão europeia no que hoje chamamos de América Latina. O projeto de pesquisa pretende compreender as hierarquizações eurocêntricas/estadunidenses referentes à produção artística valorizar outras epistemes e promover processos deconolizantes na área de conhecimento arte e o seu ensino. Como resultados desta pesquisa será produzido material bibliográfico sobre Arte da América Latina para fomento do ensino de arte com este viés.
Programa de Extensão Polo Arte na Escola UFMS
COORDENAÇÃO | Simone Rocha Abreu
RESUMO | Este programa abrange várias ações, sendo que a mais constante é o Grupo de Estudos Polo Arte na Escola UFMS desenvolvida desde 2012, cuja finalidade é proporcionar a formação continuada através de discussões e problematizações de leituras de textos, filmes e documentários estimulando reflexões sobre questões teóricas e metodológicas voltadas para o ensino de arte, a produção artística e a cultura contemplando relações com outros saberes. Outro foco é a problematização de práticas de sala de aula vivenciadas pelos participantes do grupo. O projeto de extensão vincula-se ao Projeto de Pesquisa: América Latina: habitando a decolonialidade em arte, cadastrado junto a PROPP/UFMS. Os Grupos de Estudos atendem a orientação do Programa Arte na Escola do Curso de Artes Visuais/UFMS que tem convênio estabelecido com o Instituto Arte na Escola. A coordenação das atividades propostas é da Profa. Dra. Simone Rocha de Abreu com a contribuição dos membros do grupo que são professores de arte, acadêmicos de graduação e pós-graduação, artistas e pesquisadores em arte.
A produção em arte e tecnologia como mediação social
COORDENAÇÃO | Venise Paschoal de Melo
RESUMO | A apropriação e uso dos artefatos tecnológicos contemporâneos pelos artistas vem alterando os modos de produção as formas de experimentação e fruição do objeto artístico fazendo dos hibridismos com as tecnologias um processo de abertura participação e interação em níveis cada vez mais elevados. Tais ações contribuem para o cenário da arte como um processo de mediação para a produção de socialidade instigando outras formas de comportamentos dos sujeitos em nossa sociedade. É neste local que se insere este projeto imerso nas especificidades da pesquisa em arte baseado em uma metodologia de investigação teórico-bibliográfica e no desenvolvimento da prática artística de performances videoperformances fotoperformances videoinstalações instalações interativas ou participativas intervenções espaciais site specific realidade virtual realidade aumentada fotografia e vídeo e que se pretende por meio deste recorte na arte contemporânea realizar reflexões sobre a arte e tecnologia como processo de mediação social.
Os impactos da formação inicial de professores de artes visuais no trabalho pedagógico: estudos a partir da prática pedagógica dos egressos de cursos de Licenciatura de artes Visuais
COORDENAÇÃO | Vera Lucia Penzo Fernandes
RESUMO | Na década de 1970 as aulas de Educação Artística eram ministradas por professores que detinham conhecimentos em arte ou artesanato por professores que queriam ter aumento em seus rendimentos por professores que simplesmente ocupavam o tempo para que os alunos não ficassem sem aula ou para complementar a carga horária de professores de outras disciplinas. Ensinar arte restringia-se à proposição de temáticas para serem exploradas graficamente atividades com desenhos para serem coloridos ou com temáticas voltadas às datas comemorativas técnicas de pintura em pano ou técnicas artesanais. Além disso existia uma concepção de arte como expressão livre e espontânea que sendo manifestação da individualidade não precisava e nem podia ser ensinada. Tais questões sedimentaram no ideário educacional a visão de que Arte é desprovida de conteúdo e importância tendo em vista que os aspectos subjetivos a ela relacionados são visto como irracionais. Considerando esse cenário realizamos uma pesquisa de base historiográfica que pudesse evidenciar as particularidades da realidade do estado de Mato Grosso do Sul Os estudos de Fernandes (2018) indicam que houve uma grande mudança no cenário do ensino de arte em Mato Grosso do Sul principalmente a partir da criação do curso de Educação Artística na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul em 1981. Tal curso foi criado para formar professores para atuar na disciplina Educação Artística em escolas públicas da rede municipal e estadual de ensino e contribui também para a própria formação cultural do Estado. Conforme apontam os estudos de Santos e Fernandes (2014) e Canisso e Fernandes (2014) temos a presença da disciplina Educação Artística dentre outras como: Artes Infantis; Artes Industriais Trabalhos Manuais Desenho. Sendo que as práticas pedagógicas nas escolas seguiam os princípios da formação de base artesanal e pautados na livre expressão. É fato que o curso de Educação Artística passou por várias alterações curriculares inclusive em seu nome que passou a se chamar Artes Visuais em 1997 embora mantendo um caráter polivalente em sua estrutura curricular o curso volta-se para a formação específica em uma das subáreas da Arte. Segundo Fernandes (2018) uma mudança significativa ocorreu de fato em 2014 quando o curso deixa de ofertar disciplinas que tinham as características da Educação Artística. As alterações curriculares apontam para o cumprimento de legislações e diretrizes curriculares dos cursos de graduação em artes visuais e das diretrizes de formação de professores ampliando a formação pedagógica e abarcando temáticas como educação das relações étnico-raciais educação especial educação ambiental e direitos humanos. Uma análise sobre as práticas pedagógicas de professores de artes visuais indica que essas novas perspectivas também começaram a se fazer presente no trabalho pedagógico do professor de artes visuais em escolas publicas e privadas. Os aspectos artesanais e da livre-expressão perdem espaço e o uso de referencias visuais da história da arte e da diversidade cultural começam a ganhar espaço sem deixar de manter relação com os processos criativos e estéticos. Abrindo novas possibilidades de reflexões e estudos sobre a arte contemporânea a arte da América-latina devido à posição estratégica do nosso Estado a arte produzida por mulheres e negros e para a própria formação pedagógica e estética promovendo diálogos entre aspectos singulares e universais O curso de Artes Visuais da UFMS tem sido uma grande referência para o ensino de arte em Mato Grosso do Sul sobretudo por ser desde 2019 o único curso presencial de formação de professores em todo o Estado. Mas temos um grande crescimento dos cursos de Artes Visuais na modalidade a distância (CARVALHO e FERNANDES 2019) todos ofertados pela iniciativa privada apresentando novos olhares para a formação de professores e sobre o trabalho pedagógico. Então começamos a questionar: como os cursos de formação de professores tem impactado no trabalho pedagógico dos professores de artes visuais? Quais são as referências teóricas destes cursos? Como a arte da América Latina tem sido ensinada nestes cursos? Como a diversidade cultural e a inclusão social se inserem nos cursos de formação de professores? Os processos criativos têm sido valorizados? Dentre tantos questionamentos temos um que se destaca: como a formação inicial tem impactado no trabalho pedagógico do professor de artes visuais? Para responder tais questões é necessário realizar estudos que contribuam para a compreensão dos limites e possibilidades dos diferentes fatores que interferem na definição do trabalho pedagógico do professor de artes visuais em relação à formação inicial. Para isso serão realizados estudos de caráter bibliográfico e estudos de caso em escolas municipais ou estaduais do Estado de Mato Grosso do Sul. E à luz de princípios históricos e de uma concepção histórico-cultural do ensino de arte pretendemos desenvolver estudos que explicitem os impactos da formação de professores no trabalho pedagógico do professor de artes visuais tendo como base empírica as práticas consolidadas na realidade sul-mato-grossense. Podemos observar que estudos relativos à organização do trabalho pedagógico estão relacionados a aspectos pontuais como a defesa da importância da arte para o desenvolvimento humano a presença de diferentes formas de arte no contexto educacional escolar dos processos de ensino e aprendizagem em arte tanto no que se refere às bases epistemológicas psicológicas quanto metodológicas e estéticas. Sendo um grande desafio compreender que ensinar e aprender arte envolve conhecimentos específicos sobre técnicas procedimentos e processos de expressão e criação inerentes a cada manifestação artística. Desta maneira faz-se necessário compreender as trajetórias e práticas que contribuem e interferem na formação de professores e no trabalho pedagógico no âmbito dos limites geográficos do nosso Estado. Considerando as produções sobre o ensino de arte voltados para o contexto escolar sul-mato-grossense destacamos os estudos que apontam novos direcionamentos e reflexões sobre o processo de ensino e aprendizagem em arte (PERASSI 1995; FERNANDES 2005; CONCEIÇÃO 2008; NESSIMIAM 2001; SANCHES 2011; SILVA 2012) a diversidade cultural (HEIMBACH 2008; VALENTIM e SANCHES 2012). Sendo que Fernandes (2005 2011) realizou estudo que abordam a organização do trabalho pedagógico do professor de artes visuais a partir da discussão sobre criatividade no ensino de arte. Esse cenário evidencia que temos estudos pioneiros com foco na historicidade do ensino de arte em Mato Grosso do Sul e nenhum que investigue a relação entre formação de professores e o trabalho pedagógico do professor de artes visuais. É fato que os estudos realizados pelo grupo de pesquisa Ensino e Aprendizagem em Artes Visuais CNPq/UFMS e pelo Observatório de Formação de Professores de Arte tem contribuído com significativa produção científica sobre o ensino de arte em nosso país mas estamos diante de um grande desafio. Sobretudo porque em face das contradições da emergência de proposições políticas de uma educação inclusiva e da exigência de novas tecnologias ainda existem lacunas sobre a interface entre a formação de professores e a forma de organização do trabalho pedagógico do professor de artes visuais que precisam ser investigadas.
